domingo, 27 de março de 2011

Malvado Tempo




















O tempo zomba de mim o tempo todo.
O tempo rareia, falseia, tripudia, me trai.
Presa nas armadilhas do tempo
forço-me à opção:
adio o longo beijo que tanto desejo,
escolho pragmaticamente entre trabalho e tesão.
Furo em sedutor encontro com o ócio,
rearranjo prioridades
e logo acima vejo: obrigação.
Acelero o gozo,
interrompo o riso,
insiro, prematuramente,
um ponto final em doce interação.
Qualquer dia tomo posse da minha vida,
e arranco a máscara do tempo.
Quero vê-lo enrubescer
diante da própria farsa.
Como pode esse tirano
se arvorar a nos reger
se se traveste de tempo
mas é pura ilusão?


Analú

Imagem: Google

4 comentários:

Diego Duá disse...

Gostei.
Acho que o tempo é uma brincadeira sem graça que nos faz procurar verdades concretas em momentos ilusórios.

Ana Lucia Sorrentino disse...

Diego, por momentos, escrevendo essa poesia, tentei me imaginar sem ser escrava do tempo... me deu uma sensação boa...já imaginou que delícia? rsrs... Nossa, menino, que loucura é essa em que vivemos?

Tânia Meneghelli disse...

Oi Ana Lúcia!

Ah, o tempo, esse malvado!... Ando meio de mal dele, sabe? Como se adiantasse!

Belíssimo poema, adorei!

Beijoca!

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Olá Ana
Amei, que belo poetizar!
Implacável tempo se não nos dermos conta e poder escrever ou apenas saber que se não nos apropriarmos de alguma parcela de tempo, não haverá tempo para aquele beijoi tão desejado.
Parabéns
Beijs