domingo, 1 de agosto de 2010

Poesia - Cuidado, Meninas (Alento, 2007)












Cuidado, meninas,não nasçam na Índia.
Lá meninas bonitas
não são bem-vindas.
Cuidado, meninas,
não nasçam na Índia.
Lá o colo e o peito da mãe
não são certos.
Lá pode-se morrer ainda feto.
Cuidado, meninas.
Lá vocês são o dote, a despesa, o fardo.
Seu choro sentido de fome
Será abafado com toalhas molhadas,
asfixia, morte.
Cuidado,meninas.    
Seus pais querem o Nirvana,
não há lugar pra meninas...
Fujam, fujam da Índia, meninas,
antes mesmo de nascer.
Unam-se num movimento emigratório
e deixem a Índia
à mercê da própria loucura
e esterilidade.

                                                         
Ana Lucia Sorrentino em Alento(2007) - coletânea de poesias, à venda através do e-mail analugare@yahoo.com.br

11 comentários:

Andreia Hernandes disse...

Puxa, Ana Lucia, que texto lindo. Muito sensível.
Virei fã, e estou te seguindo...

Abraço,
A.

Seu Ribeiro disse...

Adorei! Parabéns!!!

Seu Ribeiro disse...

Adorei!
Obrigado por compartilhar!!!

Ivan Bueno disse...

Oi, Ana.
Triste esta realidade, não só da Índia, mas de muitos países.
Belo poema que serve de alerta às pessoas abrirem seus olhos à realidade alheia, ainda tão machista.
Beijo grande,

Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com

Paulo Sempre disse...

«Unam-se num movimento emigratório
e deixem a Índia
à mercê da própria loucura
e esterilidade.»

A dignidade da pessoa humana não devia ter sexo fosse qual fosse o local geografico deste Mundo...
Na verdade ainda não é assim...

Talvés um dia ...
A culpa foi no jardim de ENDEN...?
A maçã....o pecado a dor de parto e a perda da eternidade da vida humana...
Enfim...

Beijo

Vanessa disse...

ÉÉÉÉÉ...se facilitar, nem precisa ser na Índia pra nascer, pras mulheres também terem seus direitos de viver negados...infelizmente é uma realidade que o Brasil, guardadas as devidas proporções, não fica atrás...

Vanessa disse...

ÉÉÉÉÉ...se facilitar, nem precisa ser na Índia pra nascer, pras mulheres também terem seus direitos de viver negados...infelizmente é uma realidade que o Brasil, guardadas as devidas proporções, não fica atrás...

Márcia Sanchez Luz disse...

Seu blog está lindo, Ana Lucia!
Beijos,
Márcia

Anônimo disse...

Ana Lúcia

Recuso o comentário fácil. Não quero banalizar tua escrita excelente com um “adorei”, um “gostei muito”, um “eih menina, você me encheu”.
A sua escrita merece muito mais do que isso e tenho de mastigá-la bem para digerir.
E depois há a temática que a preocupa e para a qual encontra a palavra certa no brilho, na cor, na música que casa servindo a emoção que desentra e nos dá.
Ana
Gostaria de inventar palavras novas para te dizer isto, mas não sei como.
Envio um beijo e te ofereço um poema à mulher.
José Brás

no princípio
o dia
habitava
os olhos
dos homens
e das mulheres

mais tarde
a soberba
cegou o homem
e tem a mulher
que o guiar
cruzando as trevas

às vezes
e tão intenso
o olhar da mulher
devolve ao homem
o dom da luz

não são raras
tais mulheres
raros são
e afortunados
os homens
que com elas
caminham na claridade

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Oi Ana Lucia
Saber que continuas a escrver, que estás aqui é também um alento para quem teve tão pouco tempo de estar em contato direto, assim com comentário. Passei um bom tempo com restrito tempo.
Agora volto e pretendo ter outra boa época de poder escrever e dar-me o prazer de estar em contato com maior frequência.

Independe do conteúdo, a poesia fala de fatos, fatos que precisamos poetizar para que não nos causem tanta tristeza.
Um abraço

Anônimo disse...

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