sexta-feira, 28 de setembro de 2007

III - "Mulheres que Correm com os Lobos" - Veja se você se enquadra nessa descrição de sintomas

Na contracapa do livro "Mulheres..." há o texto, que transcrevo abaixo, e que vou pedir que você leia com muita atenção, pra detectar se você se identifica com as situações que a autora coloca:

“Sensações de vazio, fadiga, medo, depressão, fragilidade, bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais freqüentes entre as mulheres modernas, assoberbadas com o acúmulo de funções na família e na vida profissional. Esse problema, no entanto, não é recente. Ele veio junto com o desenvolvimento de uma cultura que transformou a mulher numa espécie de animal doméstico. "

Você se identificou? Você já sofreu ou sofre com esses sintomas? Você já se sentiu um animal doméstico? Ou uma fera enjaulada?
Você já parou pra se perguntar em que ponto da sua vida a sua "essência" começou a se desvanecer? Você tem saudade de alguém que foi, em algum período, lá atrás, e que era muito mais feliz do que essa pessoa em que você se transformou?

Se você respondeu "sim"à maior parte dessas perguntas, vale a pena ir a fundo e tentar o resgate dessa "mulher selvagem".

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

* "Provocação" - Sobre Tropa de Elite

Link do trailer: http://br.youtube.com/watch?v=0jeTL9hC3Wg

Ontem assisti "Tropa de Elite". Como já havia ouvido vários comentários sobre o filme ser chocante, não fiquei tão chocada assim. Pensei, logo de cara, que "Cidade de Deus"me chocou bem mais. Claro, porque em "Cidade de Deus" vemos que se criam crianças para o crime. E há muitas cenas de crianças barbarizando, sem a menor idéia de quanto vale uma vida humana.
Hoje acordei com aquelas músicas na cabeça: "parrapapapapapapapa... (som de tiros) e "tropa de elite pega um pega geral... " Aí comecei a metabolizar as informações que recebi assistindo o filme, e me perguntei: afinal, o que é que tá acontecendo, que uma pessoa como eu, que há muito pouco tempo era radicalmente contra a pena de morte, hoje assiste um filme que mostra que no Rio de Janeiro existe uma polícia especialmente treinada para entrar na favela matando os traficantes, e não se choca? Acho que sei o que tá acontecendo. Tá acontecendo que a violência passou dos limites e comecei a perceber (tarde demais, tola que sou!) que os bandidos não são simplesmente gente que rouba para ter o que comer. Bandidos são gente do mal mesmo. São ruins.
Meu filho menor já foi assaltado no meu bairro duas vezes. O maior já teve o carro roubado outras duas, fora as vezes que roubaram os sons dos nossos carros. Sei que somos privilegiados, porque há pessoas que já sofreram um sem número de assaltos. Fora os assassinatos. Outro dia, minha faxineira disse que estava em casa e escutou um estrondo terrível. Na manhã seguinte ficou sabendo que bandidos tinham amarrado um "desafeto" numa árvore, num morro perto de sua casa, e colocado uma bomba dentro da boca dele. Antes de ontem três amigos nossos sofreram um seqüestro-relâmpago. Um deles havia acabado de pegar seu carro novo, ainda sem placa, e mostrava inocentemente, e orgulhoso, é claro, aos amigos, na porta do prédio onde mora. Três minutos de marcação de bobeira, e lá estavam os três, à mercê dos ladrões, tentando sacar dinheiro no caixa eletrônico. Roubaram seus celulares, e levaram o carro novo. Mas, o desinfeliz que roubou o carro, não se contentou em roubar calado! Enquanto levava os três rapazes - trabalhadores, diga-se de passagem - dentro do carro zerinho, ficou falando o tempo todo que o carro era uma porcaria, se não tinha carro melhor pra ele comprar, e coisas do gênero. Isso porque era um Punto zerinho! Era porcaria pro ladrão! É claro, porque não foi ele que trabalhou pra caramba pra conseguir comprar! Ele veio e simplesmente roubou o carro, usando um revólver, covardemente, e ainda ficou tripudiando em cima dos rapazes! Pro outro rapaz, que estava sem carteira e sem cartão do banco, mas que é trabalhador e sério pra caramba, ficou dizendo que ele era "boyzinho", porque não tinha nada... Sei lá que raio de raciocínio ele teve pra chegar a essa conclusão! Será que raciocinam?
Então, o negócio é o seguinte: pra ser bem sincera, eu não só não fiquei tão chocada, como fiquei excitada vendo os policiais matarem os bandidos! E o meu filho brincou que queria entrar pro BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais)!!! E os policiais do BOPE viraram meus ídolos!
Depois, fiquei analisando o treinamento que os policiais têm pra entrar no BOPE. Simplesmente é um treinamento pra ferrar com a cabeça do cara, pra ele ter muita raiva, e matar sem dó! E a corrupção? Se não fosse a imensa corrupção que rola na polícia, as coisas não chegariam a esse ponto. Policiais se vendem a torto e a direito e são os próprios policiais da PM que fornecem as armas pros traficantes! A corrupção é o que piora tudo, sempre! Aí você fica pensando se não daria pra criar um BOPE pra acabar com a corrupção no Senado...
Sei lá... A verdade é que, se os traficantes são do mal, a polícia tá criando uma outra espécie de seres humanos, também do mal, pra combatê-los.
E aí? O mal, quando combate o mal, é bem? E esses policiais, com a cabeça "estragada" pelo trabalho no BOPE, são capazes de ter uma vida pessoal normal? E se não fossem eles? O tráfico já teria acabado com o Rio de Janeiro? E agora? Você tem uma sugestão?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

II - Apresentação do livro "Mulheres Que Correm Com os Lobos" e de sua autora, Clarissa Pinkola Estés

Muito resumidamente: Clarissa Pinkola Estés é uma analista Junguiana com 20 anos de prática e contadora de histórias. Cresceu em contato com a natureza, e os lobos sempre rondaram seu universo, em sonhos ou na vida real. Estudando esses animais, ela observou várias semelhanças entre a loba e a mulher, principalmente no que se refere à dedicação aos filhos, ao companheiro e ao grupo. Em "Mulheres Que Correm Com Os Lobos", seu primeiro livro, ela defende a idéia de que, ao longo do desenvolvimento da civilização, esses instintos mais naturais - a que ela dá o nome de Mulher Selvagem - foram sendo domesticados, sufocando todo o potencial criativo da alma feminina. E faz um trabalho maravilhoso de resgate dessa alma através da análise de mitos, contos de fadas, lendas do folclore e outras histórias. Percorrendo as páginas de seu livro vamos nos ligando novamente aos atributos saudáveis e instintivos do arquétipo da mulher selvagem. Creiam: Clarissa consegue isso. E quem ganha somos nós!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

I - Por que "Reencontrando Sua Alma"?



Nasci numa época meio “intermediária”. Não fui hippie, talvez porque ainda fosse muito jovem pra isso. Não brinquei com lança-perfume e nunca usei drogas. Não fui uma feminista de queimar sutiã em praça pública, mas sempre tive coragem para não usá-lo, porque acho uma verdadeira tortura. Sempre achei que devia trabalhar e ganhar meu dinheiro, mas jamais me passou pela cabeça deixar meus filhos serem criados por babás ou irem com poucos meses para creches. Não me engajei em nenhum movimento de sexo livre, mas também nunca acreditei que minha sexualidade pudesse ser determinada por regras que nada tinham a ver comigo. Não costumo seguir a moda, mas sim o que me faz sentir bem. Ao longo de toda minha vida tenho questionado todas as verdades impostas pela sociedade. Mas, é claro, assim como todas as outras mulheres, sofro pressões. No meu caso, essas pressões me perturbam, às vezes me torturam, mas, no final, quase sempre (também não sou nenhuma heroína), elas é que cedem a mim. Só que o que vejo acontecer com as mulheres em geral não é exatamente isso. E tenho percebido que há uma verdadeira legião de mulheres infelizes que são fruto da obediência a regras que não criaram. Que acreditaram em modismos, religiões, moralismos e não se perguntaram se tudo isso as faria felizes. Acabaram distanciando-se de si mesmas, perderam o contato com a própria alma e hoje se perguntam o que fazer. Têm saudade do que talvez tenham sido nalgum dia, mas não sabem onde está nem como reencontrar “aquela”, que era mais feliz. - E agora? – Vejo mulheres se perguntando, com os olhos marejados, assustados, ou excessivamente tristes, sem saber o que fazer. Muitas temendo adoecer. Graças a Deus, pelo que percebo, nenhuma desiste. Como diz o Dalai Lama, a busca pela felicidade é intrínseca ao ser humano. E temos direito a ela!
Em janeiro desse ano, nas férias, numa fase complicada da minha vida, encontrei um livro que me fascinou: “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola Estés. É um livro dedicado a ajudar as mulheres a reencontrarem suas almas. Voltei das férias mergulhada na leitura e me conhecendo mais a cada página, cada história, cada análise que a autora propõe. Esse livro veio ratificar tudo aquilo em que eu sempre acreditara e me ajudou a me aproximar mais ainda da minha essência, o que traz como conseqüência natural uma enorme sensação de bem-estar, uma verdadeira libertação.
Surgiu em mim uma vontade gritante de divulgar esse trabalho maravilhoso entre o maior número possível de mulheres, para que elas também possam se reencontrar com sua essência e ter a chance de serem felizes. Claro que eu poderia simplesmente dizer às mulheres que leiam o livro. Mas, sei que não é tão simples. Conversando com várias mulheres percebi que elas estão tão desestimuladas que custam a acreditar que um livro possa lhes dar tanto e parecem não ter força para encarar uma difícil leitura de mais de seiscentas páginas. Além, é claro, de estarem tão envolvidas com a vida alheia que não se dão o direito de simplesmente parar para ler algo e aprender.
Talvez esse meu projeto pessoal cresça (Deus queira!) e algum dia venha a se tornar algo maior. Por enquanto, o instrumento que tenho é esse blog. O que posso prometer é, através dele, fazer uma espécie de “workshop” baseando-me nesse belo livro. Em doses homeopáticas, pretendo repassar a vocês suas histórias incrivelmente enriquecedoras, facilitando sua leitura, e espero poder contar com vocês para esmiuçá-las junto comigo. Cada leitora desse blog que vier a ler uma das histórias e comentá-la, cada uma que tiver coragem de se expor e a seus problemas, cada uma que lembrar de situações já vividas ou em pleno curso e tiver ânimo para contá-las, estará contribuindo para que esse trabalho cresça e para que muitas outras mulheres possam crescer também. Esse é o pedido que faço, com toda a força da minha alma: envolvam-se e participem! Todas só temos a ganhar!

Ana Lucia Sorrentino Garé

PS: Claro que, provavelmente, tendo esse espaço, não vou conseguir deixar de escrever sobre outros assuntos que considere relevantes... Portanto, não estranhem se às vezes encontrarem aqui textos que não se refiram à obra de Clarissa Pinkola Estés. Com certeza serão "provocações", para que pensemos um pouco mais sobre a vida...