quarta-feira, 24 de agosto de 2022
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
domingo, 1 de agosto de 2021
Borba Gato e a Cinemateca ou de como perpetuar a barbárie restaurando a estátua de um bandido e destruindo a Cultura
De sábado pra cá estou acompanhando atentamente a polêmica
que nasceu a partir do ato contra a estátua de Borba Gato e me parece que, como
era de se esperar, a tese em prol da “preservação da História” prevaleceu na
grande mídia.
Isso me fez chegar à questão: queimar a estátua de Borba
Gato não é História?
Fiquei me imaginando contando à minha neta, quando ela já
tiver idade pra pensar junto comigo sobre essas coisas, que em certo sábado de
2021, quando ela tinha apenas 3 anos, enquanto milhares de pessoas em todos os
cantos do Brasil enfrentavam o medo de se contaminar com um vírus perigosíssimo
para ir às ruas pedir o impeachment de um presidente covarde, misógino, machista,
racista, prevaricador, corrupto, adorador de torturadores, etcetcetc, em uma
rua de São Paulo um pequeno grupo queimava uma estátua que representava muito de
tudo isso, como que dizendo: não queremos mais tolerar tanta barbárie.
Se, à época de Borba Gato, houve quem julgasse legítimo
homenageá-lo, isso está na História e é lá que deve ficar. Mas, evoluímos e
ganhamos clareza quanto aos fatos e também quanto ao que é aceitável ou não e,
para explicitar claramente isso - sim, porque sem atos “barulhentos” ninguém
enxerga as ditas "minorias", que de minorias nada têm senão a própria
invisibilidade perante o establishment -, um grupo de inconformados teve a
coragem de incendiar a homenagem à barbárie.
A pergunta é: por que a cicatriz desse ato tem que ser
apagada senão como um recado de que as minorias devem continuar invisíveis e de
que a barbárie continua sendo validada? Por que, até hoje, andando pelas ruas
de São Paulo, temos que cruzar com esse escárnio? Por que um país que sofre
terrivelmente com o racismo, o machismo e a misoginia e onde mulheres morrem e
são estupradas às pencas todos os dias deve manter plantada no meio da calçada
uma estátua horrorosa em homenagem a um escravagista assassino e estuprador?
Porque é “arte”? Ou porque o poder nessa plutocracia brasileira de 2021 é
exercido por simpatizantes e quiçá praticantes de tudo que Borba Gato
praticava?
A estátua pegando fogo mandou a mensagem: estamos fartos de
tolerar o intolerável. No mundo de hoje não há mais espaço nem nas ruas, nem
nas nossas vidas, para “Borba Gatos” de pedra ou de carne e osso. Não queremos
tropeçar nesse tipo de “patrimônio cultural”, que valida a barbárie, o
primitivismo e tudo o que rejeitamos ferrenhamente. Porque ele estimula racistas,
escravagistas, misóginos e estupradores a se julgarem dignos de homenagens e
admiração e a acreditarem que podem ser como são. E não, NÃO PODEM. NÃO QUEREMOS
MAIS TOLERÁ-LOS.
Nesse futuro em que me imaginei contando essa história à minha neta havia
dois possíveis desfechos. No primeiro, eu lhe contaria, orgulhosa, que, depois
dos debates provocados pelo ato, a estátua virara sucata para servir a outro
propósito mais útil e que no chão, no local onde ela estivera plantada por
excessivo tempo, haviam chumbado uma placa esclarecendo o motivo de sua
retirada. E se minha neta quisesse ver como era a estátua, eu teria, para lhe
mostrar, um sem número de registros virtuais e impressos que prescindiriam da
permanência do monstro na calçada. E lhe contaria que as autoridades haviam
decidido destruí-la porque ela não contribuía em nada para a criação de uma
sociedade melhor, porque não se constrói nada de bom homenageando bandidos. E
que, de qualquer forma, a quem interessasse, sempre haveria os livros de
História. No segundo desfecho que imaginei possível, a estátua ainda estaria na
calçada e eu poderia, com orgulho, mostrá-la toda chamuscada à minha neta e ler
com ela a placa que explicaria que as
autoridades da época haviam considerado importante mantê-la chamuscada para preservar simbolicamente o
ato que em 2021 a incendiara em repúdio a tudo o que ela representava. Pensei na
Bastilha se transformando em praça de grandes manifestações democráticas,
pensei no muro de Berlim se transformando em mural de arte a céu aberto, pensei no Pelourinho, em Salvador, se transformando
em Centro de Cultura e de Resistência e imaginei esse tipo de ressignificação
para o feio Borba Gato.
Mas vejam só!!! Será mesmo que vou ter que contar à minha
neta que houve uma polêmica, que os “intelectuais” do nosso país não deram
conta e que, por fim, um empresário resolveu bancar sua restauração para
perpetuar a homenagem à barbárie???
É INACREDITÁVEL o Brasil que estamos vivendo.
O incêndio na Cinemateca no final da semana, fruto do
descaso criminoso do governo federal, reitera a constatação trazida pelo
episódio da estátua. Estamos sendo governados por gente que não consegue superar
a própria miséria moral e intelectual para entender que o ser humano é muito
mais do que um tubo digestivo. É muito triste tudo isso.
Ana Lúcia Sorrentino
quinta-feira, 24 de junho de 2021
sexta-feira, 9 de abril de 2021
quarta-feira, 10 de março de 2021
domingo, 17 de janeiro de 2021
Temos vacina, mas precisamos combater as excrescências da ditadura
Hoje foi dia de uma grande alegria
– a primeira aplicação de vacina contra a Covid19 deu a largada para a
vacinação – e de uma grande baixaria: o desgoverno Bolsonaro colocou Pazuello
para dar uma coletiva no mesmo momento da coletiva de Doria, para nublá-la. Foi
absolutamente nojento! Vamos esclarecer algumas coisas para possíveis
desavisados?
Dória não é um santo, prima pelo
marketing e está sim, visando as eleições de 2022. Mas isso não significa que
possamos invalidar TODAS as ações dele. E, se nesse momento está usando a vacina
para obter popularidade, que bom, porque isso beneficiará a todos nós. Se você
não quiser votar nele em 2022, não vote, mas em relação a isso ele está fazendo
um bom trabalho, em contrapartida ao péssimo trabalho, trabalho nenhum ou destrabalho
que o desgoverno federal faz! E, a bem da verdade, o desgoverno Bolsonaro
parece só estar agindo contra a Covid reagindo a Dória, seu objetivo é sempre atacá-lo,
nunca salvar a população.
Já Pazuello é uma excrescência da
ditadura, um general que deveria entender de logística e já provou que nem
disso entende, vide a série de erros crassos que cometeu já no ministério. É um
pau mandado cuja principal intenção é agradar seu chefe e passa muuuito longe
da preocupação com a saúde da população. Quando o vejo nas coletivas franzindo o
cenho e falando grosso sinto o mesmo asco que sinto ao ver aqueles vídeos
antigos de generais da ditadura gritando com jornalistas para intimidá-los. E
por que precisa intimidar? Porque faz um mau trabalho e mente e, portanto, não
se sente seguro para ser questionado. Foi o que fez hoje, interrompendo a
coletiva de Dória para evitar que brilhasse e disparando uma série de mentiras,
entre elas a de que o que Doria está fazendo não é legal. Temos que esclarecer:
Lewandowski proibiu o governo federal de “roubar” (sim, o termo é esse mesmo)
as agulhas e seringas de SP alegando que "a incúria (negligência) do
Governo Federal não pode penalizar a diligência (cuidado, zelo) da
administração estadual, a qual tentou se preparar de maneira expedita para a
atual crise sanitária."
Entre outras inúmeras falhas
graves, Pazuello tem responsabilidade pelas mortes que acontecem por asfixia em
Manaus agora, porque esteve lá, a mando do despresidente, para fazer propaganda
da cloroquina, comprovadamente ineficaz contra a Covid, e se esqueceu de voltar a atenção ao abastecimento
de ar dos hospitais. É preciso dizer mais alguma coisa? Sim, é preciso! Estamos
em uma democracia e não é admissível termos que conviver com esses filhotes de
ditadura que nos põem nervosos, a iniciar por sua postura autoritária incabível em 2021 e a
terminar por sua extrema incompetência. E vale dar uma olhadinha na Wikipédia pra
se atualizar sobre sua performance no ministério da saúde, mas também pra ter
consciência do seu passado! Está lá: “Em 24 de novembro de 2005, o Site do Senado Federal replicou a reportagem do Jornal do Brasil, com
Título: "Do Quartel para o Ferro-velho". Segundo a publicação, "Pode ser responsável pelo maior desvio de munição da História do Exército
Brasileiro". O Ministro da Saúde Eduardo Pazuello era o Comandante do
Depósito Central de Munição do Exército.”
Aqui vão alguns links pra você ter ideia de quem é Pazuello e, quem sabe, ter mais força para gritar contra essa miséria que estamos vivendo:
- Do
quartel para o ferro-velho - Jornal do
Brasil, 24/11/2005, Rio, p.A13
<https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/65677/noticia.htm?sequence=1&isAllowed=y>
- Biografia na Wikipédia: < Eduardo Pazuello –
Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)>
- Ministro da Saúde interino
obrigou soldado a puxar carroça no lugar de cavalo em quartel Exclusivo:
Ministro da Saúde interino obrigou soldado a puxar carroça no lugar de cavalo
em quartel (diariodocentrodomundo.com.br)
Pra finalizar, gritemos! #ForaPazuelloincompetente
#Impeachmentdebolsonarojá !!!!
Ana Lucia Sorrentino
sábado, 24 de outubro de 2020
Elas e eles
domingo, 6 de setembro de 2020
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Receita de sucesso – de grátis
Não faça drama e aceite que
tudo é natural.
A morte à espera lá fora, seus valores na sarjeta, o mal tornado banal.
Sua vida comandada por uma gente boçal, seus amigos mais queridos vendidos de
baciada.
Nunca ninguém te disse que você não vale nada?
Pense bem, a culpa é sua. A vida é luta. Sem dor,
sem ganho.
Entre na internet, inscreva-se num curso, agora
eles ensinam até mudo a fazer discurso.
Pegue o seu fracasso e faça dinheiro!
Seja forte, toque a vida, coma e cague, você é um
tubo. E cague e ande pra tudo. Pra tudo!
Se você é mulher, seja vadia. Ou pensa que vai
poder passar a vida sem se vender?
Se é homem, seja canalha. Negue, minta, finja estar
doente, se esconda, não responda, não tenha nunca nada a declarar.
Creia! Nunca vão te pegar!
Não tenha escrúpulo, nem vergonha. Chega dessa
baboseira!
Invoque Deus, fique bravo, seja porco e imprudente.
Barbarize frequentemente, que logo ninguém mais liga.
Desrespeite, desprestigie, desorganize, desestruture,
desestabilize, cause intriga. Pratique a ignorância obstinadamente. Aos poucos
ela se espalha e quem sabe, de repente, a vida te recompensa e você vira
despresidente.
Ana Lucia Sorrentino
domingo, 2 de agosto de 2020
Desistória
Eu
escrevo esta desistória para que não se perca no nada, de onde veio e de onde,
talvez, guarde alguma saudade. Temo que suma no vazio da memória. Nutre-me o
ânimo pensar que, escrevendo-a, posso dela reter alguma beleza que, tivesse
sido vivida, poderia ter. Escrevo pensando-a como uma não-desilusão, porque já
foi gestada fadada a ser em vão. Não me foi permitido crer que viesse a
acontecer, senão em minha fértil imaginação.
Vivo, desde sempre, abortando gestações imaginárias. E não, não deixarei de engravidar. A ideia do
inédito, à parte o descrédito que merece o mundo, me alimenta a alma e me
permite atravessar esses áridos e inférteis desertos com alguma alegria. Está
em mim. Brota. Floresce. Quero crer que em algum momento a vida possa, de fato,
ser. Enquanto isso, sigo tecendo-a com fios do que não foi.
Há nessa desistória personagens que poderiam ser
lindos, não fossem tragados pela negação do belo. Há vontade, muita vontade, e
uma imensa predisposição à compreensão e à cumplicidade. Há doçura, lealdade,
há sentimentos nobres e olhares que entram pelas retinas e flecham, como um
cupido, nossos corações já tão vividos. Que desistória bonita essa que nunca
foi!...
Causa-me um sentimento cujo nome ainda não existe
essa impossibilidade de me sentir triste por saber que minha possível tristeza
tem muito mais a ver com o que imaginei do que com o que de fato existe...
Mas quando olho, assim tecida, a trama da minha
vida, agrada-me encontrar tanta cor e tanta luz. Aqueles longos fios de
tristeza dos inúmeros não-vividos não raro deram algum sentido, emprestaram real beleza e até mesmo
alguma alegria aos tons tão pastéis de tudo...
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Aproximação
Há, entre corpos,
distância que se estreita pela intenção.
É no tempo,
na pausa,
no receio,
no toque que titubeia pressentindo a permissão.
É na delicadeza imposta pelo medo da rejeição
que o instinto se lapida e pode acontecer,
na calma,
o inusitado encontro de almas.
Ana Lucia Sorrentino
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Reencontrando sua alma: Você é um átomo de Urânio Enriquecido
sábado, 11 de julho de 2020
Pequeno diário de uma semana intensa, perambulando entre a morte e a vida – estou viva
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir
Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você...







